08 janeiro 2008


CRISÁLIDA

Quando Vanessa,
antes feinha e rastejante,
deixou a crisálida,
tão mudada

- agora esplêndida, cintilante -
como nunca a tinha visto
alojei-me em suas asas.

Perdi o chão, embevecido,
e fui vencido,

embebido pela beleza do seu voar.
O meu nome cruzou com o seu,
o meu ser com o seu ser alado.

Vanessa - borboletinha -
quero-a ao meu lado.
GEO, sou terra,


e VANECER, sumir,
Ser você, voar, sermos o céu.

Nós nos amamos.
Geovaneçamos.

Um comentário:

JAIME disse...
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Quem sou eu

Sou o que ninguém sabe e o que todo mundo conhece ou cobiça saber. Não me compreendem porque não me entendem. Não me entendem porque não me compreendem. É fácil. Se há certeza, é a duvida de tudo. Se há dúvida, é a certeza apavorante de não saber nada disso, nem daquilo, nem de coisa alguma. Não sou paradoxo, nada de versos sobre minha exatidão, sou imprecisão exata, abstração concreta, sou eu, só eu tão mim-mesmo. Se me queriam outro, por que procuram-me? Procurem outro, ou escavem esse outro em mim, tenho milhares de mins num eu. Ora, sou matéria palpável e dita de um absurdo impalpável e indizível. Só me entende quem não me quer entender. Não sou resposta, já disse, nem tenho respostas, sou a pergunta aberta e fria que nunca cansa de ser dúvida, que não cessa da convicção de não saber quem sou.
"A vida inteira estive em tudo como um deus, eu era todas as coisas de uma só vez, era a prece e a sentença, a entrega e a perdição, as juras e todo o pecado. A vida inteira cabia em mim porque eu era a vida inteira dentro de mim, até perceber que eu faltava a mim... perdi tudo sem nunca ter tido coisa nenhuma".