
Sou Eolinho, o empinador de pipas,
pela linha firmemente erguida
o céu vem até mim.
A vida suspensa no ar
é parte do meu corpo
parte de mim
bailando sobre o ritmo do vento.
Bem longe, o rabo íngreme
e o peitoral bem aprumado
são os meus pés e o meu peito
recortando o azul do universo,
trajando a seda da liberdade.
Minha pipa, vivinha da silva,
também será cortada e vai chinar.
Mas, sendo ela parte do meu corpo,
na outra rua haverá um outro empinador
que dirá: “Ao vai-te, ao vai-te!”
E no bailar da queda meu corpo-pipa
será objeto de cobiça dos seus olhos
e ao cair nas mãos dele, sem tocar o chão,
com a firmeza de outro carretel,
de outro cerol
novamente ganhará o céu
formando um conjunto de vidas numa única pipa
Seremos vários corpos suspensos no ar
encantando os olhos de quem,
no chão, sonha um dia também ser pipa.